O mal-entendido é a matéria humana.
Nunca digo o que escutas.
As palavras dançam passos desajeitados.
Tentas corrigir-lhes o ritmo, acabas por compor nova música.
E são tantas músicas, e tanto barulho, é tanto som, palavras, palavras, palavras, como tiros…
Mas tudo logo se acalma, vê só…

Do silêncio as palavrinhas se remexem.

por que será o meu canto sempre um lamento,
sempre um querer dizer a coisa própria que me silencia
como se quisesse virar pelo avesso, inverter interno e externo
ver-me de fora exposto, nu, inteiro, vazio, terra e sonhos
sob lupa científica, definitiva e precisa
e depois tornar a ser esse que agora escreve
alma e carne, idéia e desejo
com uma sutil diferença, a saber
um caminho, uma luz, um absoluto.