Todo mundo tem opinião sobre tudo. Desde as questiúnculas das relações internacionais, passando por políticas públicas, até física nuclear. Tudo bem. Adotar um ponto de vista é necessário e saudável numa sociedade democrática. Mais importante, contudo, é ter consciência de que, muito diferente de uma verdade científica irrefutável, uma opinião é, somente, um ponto de vista. É uma referência, uma base que deverá nortear um indispensável aprofundamento.

Ter clara noção dessa realidade torna a convivência entre as pessoas menos desgastante, na medida em que elimina a frequência de discussões inúteis, iniciadas por divergências entre meras opiniões: por que levar demasiado a sério nossas diferenças intelectuais, ideológicas ou culturais?

Dificilmente me disporia a debater em profundidade a física das partículas atômicas, com alguém cuja formação seja nessa área. Simplesmente por haver uma absurda disparidade entre o conhecimento acumulado por ambas as partes. Isso não quer dizer que eu não deva discutir, por exemplo, as implicações do uso de energia nuclear. Não preciso conhecer meticulasamente o processo de fissão nuclear para saber que a manipulação de energia atômica, com todos os seus prós e contras, é de importância vital no mundo em que vivemos.

Da mesma forma deve-se pensar quando se fala em política. Não é pequeno o número de pessoas que acreditam ser assunto para especialistas. Isso quando não se eximem de sua responsabilidade, sob as justificativas mais comuns: ‘não gosto de política’ e ‘política não interessa’. Quem pensa dessa forma entrega a terceiros a condução de seu destino, sem ao menos expressar conformidade ou indignação. Como é que se muda uma realidade, sem esforço político? Política tem um significado muito mais amplo do que politica partidária ou governamental. As ONGs são exemplos de movimentação civil para suprir demandas que o estado não consegue suprir, ou atende de maneira insatisfatória.

Já dizia Aristóteles, o ser humano é um animal político. Não haveria outro modo de convivermos em sociedade, se não o fôssemos. Abrir mão de certos interesses particulares em troca de uma estabilidade coletiva. A essa permuta necessária para o vínculo social se dá o nome de jogo político. Do qual nenhum de nós está isento. Lembrando Sartre, a decisão é sempre nossa. Inclusive não decidir. Portanto, ao relegar nosso direito à participação política, estamos decidindo que outros decidam em nosso lugar.

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